22ª Subseção

Por volta de 1840, a região onde hoje está situada São José do Rio Preto foi ocupada por mineiros que deram início à exploração agrícola e à criação de animais. O dia 19 de março de 1852 é considerado o dia da fundação da vila de São José por João Bernardino de Seixas Ribeiro, que liderou os moradores do local para erguer um cruzeiro de madeira e edificar uma capela.

Elevada a município desde ter sido desmembrada de Jaboticabal em 1894, São José do Rio Preto foi uma das regiões que mais produziram café no interior do Estado.

A 22ª Subseção da OAB/SP, situada na cidade de São José do Rio Preto, foi oficialmente fundada simultaneamente à OAB/SP, em 1932. Naquele ano, o dr. Luiz Nunes Ferreira Filho foi escolhido para dirigir a subseção. O livro "Dicionário Rio-Pretense", traz nota que remonta este acontecimento histórico para a entidade:

"Para presidir a OAB eles decidiram escolher Luiz Nunes Ferreira Filho para presidente, Alceu de Assis vice-presidente, Theotônio Monteiro de Barros Filho e Aureliano Mendonça secretários e Luiz Silas de Noronha tesoureiro. " Dicionário Rio-Pretense: : A História de São José do Rio Preto de A a Z, 2002


1ª Diretoria

Presidente: Luiz Nunes Ferreira Filho
Vice-presidente: Alceu de Assis
Secretário: Theotônio Monteiro de Barros Filho
Secretário: Aureliano Mendonça
Tesoureiro: Luiz Silas de Noronha

Mais tarde, para o biênio 1933/1935 o advogado Fernando Gomes foi eleito presidente da subseção de Rio Preto. Em 1935, o jornal Correio Paulistano publicou nota sobre a sua reeleição para o biênio 1935/1937:

"Realizou-se domingo último, na sede da Ordem dos Advogados, sub-secção de Rio Preto, uma assembleia geral para a eleição da sua nova directoria. Compareceram à assembleia 39 advogados, tendo sido eleita a seguinte directoria: presidente, dr. Fernando Gomes; vice-pres, dr. Jacyntho Angerami; 1º secr, dr. João P. Fleury; 2° secr, dr. Horácio Vergueiro; tesoureiro, dr. Bento Domingues de Castro." Correio Paulistano, 1935


Correio Paulistano, 1935


Carteira de Fernando Gomes

No início, as atividades e reuniões da subseção eram realizadas no antigo Fórum da cidade e somente em 1976 foi fixada a sede da 22ª subseção. Um ano antes da inauguração, o escritor Leonardo Gomes publicava o livro "Gente que ajudou a fazer uma grande cidade: Rio Preto" no qual colaborou o dr. José Froes Filho, então presidente da 22ª subseção, escrevendo um dos capítulos.

José Froes Filho, após dissertar sobre a importância dos advogados na cidade e o exercício da advocacia, enalteceu a construção da Casa do Advogado explicando a sua relevância para a classe:

"Quem nos fez doação do terreno foi um prefeito médico, o dr. Wilson Romano Calil, em futuro próximo advogado também, pois é acadêmico de Direito da Faculdade local. Pretendemos, com a ajuda que nos foi prometida pela OAB de São Paulo, e contribuições dos Colegas, fazer ali um verdadeiro Clube. Teremos, segundo planta já aprovada e construção iniciada, salão de conferências, biblioteca, secretaria, (...). Desejamos fazer algo por uma profissão que para nós não é apenas uma profissão, mas um estado de espírito…" José Froes Filho, 1975

A Casa do Advogado foi inaugurada em outubro de 1976 sob a gestão do dr. José Froes Filho e desde então funciona como sede da 22 ª subseção da Ordem dos Advogados atendendo às prerrogativas da classe dos advogados.

Diretoria Atual
Presidente: Milton José Ferreira de Mello
Vice-Presidente: Luis Carlos Mello dos Santos
Secretário Geral: Paulo Antoine Pereira Younes
Secretária-Geral Adjunta: Mônica Gonçalves
Tesoureiro: Roberto Grisi

Galeria de ex-presidentes

1932/1933 - Luiz Nunes Ferreira
1933/1935 - Fernando Gomes
1935/1937 - Fernando Gomes
1937/1939 - Jacinto Agerami
1939/1941 - Jacinto Agerami
1943/1945 - Antonio T. De Almeida
1945/1947 - Antonio T. De Almeida
1949/1951 - Olimpio Rodrigues dos Santos
1951/1953 - Filadelpho M. de Gouveia Netto
1953/1955 - Aloisio Nunes Ferreira
1955/1957 - Geraldo Celso de Oliveira Braga
1957/1959 - Renato Lerro
1959/1961 - Francisco Gutierrez
1963/1965 - Nivaldo Paschoal Carrazone
1969/1971 - Alberto Jose Ismael
1971/1973 - Generoso Cazzone Otero
1973/1975 - José Froes Filho
1975/1977 - José Froes Filho
1977/1979 - José Froes Filho
1979/1981 - Clemente Pezarini
1981/1984 - Roney Gorayb
1985/1987 - Gilberto Barreta
1987/1989 - Jurandir Fernandes de Souza
1989/1991 - Vitor Cesar Bonvino
1991/1993 - Gaber Lopes
1993/1995 - Luiz Gonzaga Balthazar Jacob
1995/1997 - Waldemar Alves dos Santos
1998/2000 - Luiz Donato Silveira
2001/2003 - Paulo Nimer
2004/2006 - Flavio Marques Alves
2007/2009 - Odinei Rogério Bianchin
2010/2012 - Suzana Helena Quintana
2013/2015 - Suzana Helena Quintana

Como forma de homenagear a memória dos advogados inscritos na 22ª subseção, em 1981, foi fixada na Casa do Advogado uma placa onde as palavras esculpidas anunciam:

"Esta diretoria, intérprete do pensamento dos advogados integrantes desta 22ª subsecção, quer deixar gravada, na perenidade deste metal, e consagrada neste reduto do direito que é a Casa do Advogado, a memória daqueles intrépidos lidadores que, ligados à urbe riopretense, por mais de trinta anos pelejaram, em prol de todos os injustiçados, buscando justa reparação e desagravo, sob a inspiração dos ideais de dignidade humana, de igualdade e de liberdade, em bem e pela grandeza da pátria" – Homenagem 22ª subseção

Um pouco mais de história...

A Revolução de 1932

Quando a Ordem dos Advogados de São Paulo despontava em 1932 e meses depois suas vinte e oito subseções, contestações políticas e ideológicas faziam parte do contexto histórico do Estado.

Esse momento ficou conhecido como a Revolução de 1932 a qual envolveu o desejo popular de uma Constituição alicerçada na liberdade e democracia, caracterizando um Estado democrático de direito.  

A Revolução Constitucionalista contou com o forte apoio da imprensa, que constantemente compartilhava notícias sobre aquele momento. Sobre a participação de São José do Rio Preto, o jornal Diário Nacional e Correio de S. Paulo publicou nota sobre as contribuições do interior de São Paulo: 

"RIO PRETO, 26 (...) O enthusiasmo que reina em toda a população desta cidade é simplesmente extraordinário. Gente de todos os municípios vizinhos apresentam-se para dirigir-se para esta cidade, afim de incorporar-se ao contingente de Rio Preto. Duzentos homens já seguiram para as trincheiras da lei. Na cidade estão em serviço 160 homens e 700 – por enquanto – constituem o Batalhão de Voluntários de Rio Preto..." Diário Nacional, 1932


Diário Nacional, 1932

"...o interior vem contribuindo com valiosos contingentes de voluntários para as linhas de fogo. (...). Aos inúmeros batalhões que já chegaram, muitos deles atualmente nas zonas de operações, servindo com heroísmo à causa da Lei, virão reunir-se hoje mais mil e duzentos reservistas do Exército que de diversos centros do interior do Estado acorrem pressurosamente a cerrar fileiras nas linhas de frente..." Correio de S. Paulo, 1932


Correio de S. Paulo, 1932

Sabe-se que a Revolução contou três meses de intensos conflitos armados e ao fim, após diversas cidades terem sido tomadas, os revolucionários se renderam. A Revolução de 1932 é reconhecida como um dos marcos históricos com maior relevância no Estado de São Paulo, sendo relembrado até os dias de hoje.

Rio Claro prestou sua homenagem cinco anos após a Revolução, em 1937, instalando monumento, esculpido pelo italiano Lélio Coluccini, em memória a todos que participaram daquele momento histórico.

Estação Ferroviária

As implantações de Estradas de Ferro proporcionaram um dos maiores desenvolvimentos urbano ligando cidades interioranas à capital, facilitando os processos de comunicação e a economia. A chegada da Estação Ferroviária em São José do Rio Preto inseriu a cidade no movimento econômico do Estado, intensificando principalmente sua produção cafeeira.

Em São José do Rio Preto a inauguração da primeira linha ferroviária data o ano de 1912, sendo por muitos anos o ponto final da linha tronco da Estrada de Ferro Araraquara (EFA). Na década de 1930, período em que era instalada a 22ª subseção da OAB/SP, a EFA passou por modernizações tendo seus trilhos prolongados até a cidade de Mirassol e Mato Grosso do Sul.

Durante essa modernização, a posição de São José do Rio Preto como polo regional se firmava e, por muitos anos, São José do Rio Preto motivava o dinamismo industrial e econômico pelo interior de São Paulo.


Estação da estrada de Ferro Araraquara - Rio Preto